A Porta de Entrada para a Eternidade

Élder Carlos A. Godoy
Dos Setenta
Élder Carlos A. Godoy
No final do ano passado, fui convidado a falar em um funeral de uma pessoa muito querida. Apesar de não ser da família, tínhamos um relacionamento próximo; ela era considerada por nossos filhos como a avó americana. Quando passamos por experiências como essa, de perder alguém próximo, é impossível não pensar no propósito da vida e no plano de salvação. Gostaria de compartilhar alguns pensamentos sobre isso.

A Morte é uma Parte Importante do Plano de Felicidade:

O propósito maior do Senhor é “[proporcionar] a imortalidade e vida eterna do homem” (Moisés 1:39). Para isso Ele definiu um plano segundo o qual Seus filhos nasceriam nesta Terra, passariam por um estado probatório e de aprendizado e, depois, voltariam a Sua presença, com todos os direitos adquiridos nessa trajetória. Sendo assim, foi dado aos homens um tempo de vida em preparação para este reencontro. “Pois eis que esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para encontrar Deus; sim, eis que o dia desta vida é o dia para os homens executarem os seus labores” (Alma 34:32).

Se não nascêssemos, não teríamos a chance de ter um corpo, uma família e todas essas experiências mortais. Se não morrêssemos, não teríamos a chance de ressuscitar em glória e de voltar à presença de Deus. Sendo assim, “a morte tem efeito sobre todos os homens, para que seja cumprido o plano misericordioso do grande Criador” (2 Néfi 9:6).

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer” (Eclesiastes 3:1–2). Olhando da perspectiva eterna, vivemos para morrer e morremos para viver. Na verdade, começamos a morrer a partir do momento em que nascemos. Por quê? Porque Nosso Pai Celestial quer que voltemos para estar com Ele. Assim como o nascimento se tornou a porta de entrada para a mortalidade, a morte então, se torna a porta de entrada para a eternidade.

O Que Acontece com Nossos Entes Queridos Após a Morte?

Esse deve ter sido o mesmo questionamento de Coriânton, o filho de Alma, que respondeu: “O espírito de todos os homens, logo que deixa este corpo mortal, sim, o espírito de todos os homens, sejam eles bons ou maus, é levado de volta para aquele Deus que lhes deu vida. E então acontecerá que o espírito daqueles que são justos será recebido num estado de felicidade, que é chamado paraíso, um estado de descanso, um estado de paz, onde descansará de todas as suas aflições e de todos os seus cuidados e tristezas. E então acontecerá que o espírito dos iníquos, sim, aqueles que são maus (…) serão atirados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e lamentações e ranger de dentes (…). Portanto permanecem nesse estado, assim como os justos no paraíso, até a hora de sua ressurreição” (Alma 40:11–14). Conclusão: Nossa condição após a morte depende de nossos atos durante a vida.

Oro e trabalho para que as pessoas que eu amo mereçam estar no paraíso, naquele estado de descanso e paz. O Senhor disse “Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor, [pois] suas obras os seguem” (Apocalipse 14:13). Sei que o Senhor nos recompensará por tudo o que fizermos e passarmos nesta vida. Ele nos ama e Se preocupa conosco. “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Salmos 116:15).

Um dia, “o paraíso de Deus deverá libertar os espíritos dos justos, e a sepultura, libertar os corpos dos justos; e o espírito e o corpo serão reunidos novamente e todos os homens tornar-se-ão incorruptíveis e imortais e (…) nosso conhecimento será perfeito” (2 Néfi 9:13).

O Que Acontece com os Que Ficam Deste Lado do Véu?

Esses somos nós, os parentes e os amigos que lamentam a morte desses que se vão. “Juntos vivereis em amor, de modo que chorareis a perda dos que morrerem” (D&C 42:45). Não há como não nos entristecermos com essas perdas. De acordo com o Élder Nelson, “o único jeito de tirar o sofrimento causado pela morte, seria tirar o amor que existe entre nós” (Livro: The Gateway We Call Death). Nossa experiência com esse tipo de dor nos tornará pessoas melhores e nos dará mais capacidade e desejo de aliviar o sofrimento de outros.

Talvez mais crítico do que lidarmos com a dor é sabermos que um dia iremos pelo mesmo caminho. Será que estaremos preparados para encerrar nosso tempo aqui deste lado do véu? Nesse mesmo livro, o Élder Nelson comenta sobre um de seus pacientes, quando ainda trabalhava como cirurgião. Esse homem tinha grandes riscos de não sobreviver à cirurgia e o Élder Nelson não sabia como passar essa mensagem a ele. Ao perceber a sua preocupação, seu paciente disse: “Não se preocupe, doutor. Minha vida está pronta para ser avaliada”. A morte só será prematura para aquele que não estiver pronto para encontrar com o seu Salvador.

Nosso dever, durante este tempo que o Senhor nos deu, é de nos prepararmos para passar dignamente pela porta da morte, da mesma maneira que passamos um dia pela porta do nascimento. Ao chegarmos do outro lado do véu, seremos recebidos por nossos familiares e amigos com a mesma alegria que recebemos um recém-nascido. É um reencontro com as pessoas que amamos e com as quais gostaríamos de viver juntos para a eternidade. “A mesma sociabilidade que existe entre nós, aqui, existirá entre nós lá, só que será acompanhada de glória eterna” (D&C 130:2).

Que benção é conhecer o evangelho de Jesus Cristo e conhecer o Seu Plano de Felicidade. Que benção é saber que poderemos estar juntos de quem amamos depois desta vida! Que benção sabermos que a morte não é o fim, mas é a porta de entrada para essa eternidade!

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